Neutros de Carbono

O envelope, referente cultural

O correio encantado de Dom Quixote

de Miguel Cervantes Saavedra, O engenhoso Fidalgo dom Quixote de la Mancha, capítulo 52, IIª parte,

Que é do envelope escrito da carta de Teresa ao seu marido Sancho Panza que leu Dom Quixote ?

Na cuidada edição do Instituto Cervantes dirigida por Francisco Rico, na IIª parte, capítulo 52, pode ler-se:

"Entrou pela sala o pajem que levou as cartas e presentes a Teresa Panza, mulher do governador Sancho Panza, de cuja chegada receberam grande contento os Duques, desejosos de saber o que lhe tinha acontecido na sua viagem; e perguntando-lhe, respondeu o pajem que não o podia dizer tão em público nem com breves palavras: que suas excelências fossem servidos de deixa-lo a sós, e que entretanto se entretivessem com aquelas cartas. E tirando duas cartas (*), as entreguei nas mãos da Duquesa. Uma dizia no envelope escrito: "Carta para minha senhora a Duquesa tal, de não sei onde\", e a outra: "Ao meu marido Sancho Panza, governador da ínsula Barataria, que Deus prospere mais anos que a mim\".

Da entender a versão do Instituto Cervantes que a carta ia num envelope; noutras versões e traduções fala-se de \”sobrescrito", entendido como mero texto ou direcção escrita sobre a carta ou papel. Parece inverosímil que em 1605 - ano da primeira edição de O Quixote - se fale de envelopes. No entanto, o \"envelope" - inventado para acolher, preservar e levar a carta e a sua morada - veio cumprir um papel que não cobria o simples sobrescrito e que naquela altura estava a precisar o correio. De igual maneira Dom Quixote, que tinha realizado a sua primeira saída sem escudeiro, não pode por menos que buscar um escudeiro para o resto das suas aventuras. E não fica por ai: se falar de envelopes é falar dos correios, a lógica quixotesca leva o nosso cavaleiro andante a recriminar ao seu escudeiro, no caso do correio, o mesmo que na aventura dos moinhos:

\"És, Sancho, o maior ignorante da terra, pois não te persuadas que este correio é encantado"(IIª, 57). O visionário Dom Quixote estava assim antecipando todo o que é hoje o correio: basta olhar para o complexo mundo postal para dar razão ao louco Dom Quixote perante ao seu ignorante escudeiro.

* - Que escreveu a Teresa Panza um acólito que sabia escrever, a quem lhe deu um bolo e dois ovos (II, 50)."""

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Envelopes, Todo Um Mundo

Associações nacionais e internacionais, através dos seus organismos, publicações e congressos, são testemunhas da realidade e da evolução do mundo do envelope e dos seus fabricantes.

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Evolução e história

  1. Do "sobrescrito" ao "envelope".
    • Do francês "enveloppe" (e o seu empréstimo ao inglês " envelope") surge como "envoltório" ou coberta, o que é hoje um "envelope", em espanhol a palavra "envelope" é devedora e apócope do "sobrescrito" ou texto que identificava ao destinatário sobre o próprio papel fechado da carta.
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O envelope, referente cultural

O envelope, se não é o utensílio mais universal, é sem dúvida um dos símbolos mais generalizados da nossa cultura.

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A linguagem dos envelopes

Os envelopes falam

"Abre-me!" e "Responde!" são duas palavras mágicas que criativos e profissionais de Marketing tentam que digam os seus envelopes de envio ou de resposta.

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